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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Na elaboração de um livro, o autor escreve, reescreve, elimina, faz escolhas. Perde horas para encontrar uma palavra, desgasta os dias preocupado com a solução para um enigma que o livro lhe trouxe. Não descansa enquanto não tem o problema resolvido, tenta ao máximo que o original seja claro para quem o lê. Desfaz-se em palavras para que o leitor perceba que aquela era a letra que faltava.

 

Mas quantas vezes, nós leitores, conseguimos vislumbrar este esforço que só trouxe angústia ao autor? Quantas vezes o editor se preocupa com o ofício do autor se ele acha que basta colocar uma cinta, ou um autocolante, que o leitor é tão estúpido que vai ser enganado?

 

Quantas vezes?



publicado por Senhor Palomar às 13:20
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5 comentários:
De Robertson Frizero a 25 de Novembro de 2009 às 13:37
Posso estar redondamente enganado, mas quando o leitor consegue "vislumbrar este esforço [com as palavras] que só trouxe angústia ao autor" é porque o escritor não foi muito feliz em suas escolhas. Os melhores livros que li até hoje foram aqueles em que o trabalho imenso do escritor serviu para fazer com que a leitura fluisse sem que eu me preocupasse com os andaimes, o reboco ou os acabamentos que ele colocou. Os melhores livros são aqueles que o leitor lê e pensa de imediato: não haveria outra forma de dizer isso.


De Um leitor a 25 de Novembro de 2009 às 15:39
Pelos editores não respondo, mas essa preocupação com o sofrimento é um factor extraliterário que não influencia em nada a qualidade daquilo por que passamos os olhos. Salvo raras excepções, não me interessa a angústia de quem escreve, ainda para mais se tenho em mãos um produto medíocre, da mesma maneira que muitos autores não pensam nas sevícias que vão impondo aos leitores.

Quantos bons autores não lemos já que fazem o que julgávamos impossível parecer fácil? Quantos génios não nos mostraram, com elegância e desembaraço, aquela ideia tão simples mas em que ninguém tinha pensado antes? Quantos destes preferem ser assim recordados, em vez de procurarem abrigo numa mitologia de martírios e suplícios? Quantos não terão genuíno prazer na tarefa de revisão e reescrita? Para não falar daqueles que mal precisam de reescrever uma frase...

Sofrimento não é virtude, e tratá-lo como se tivesse importância em literatura denuncia alguma candura de ideias e uma perspectiva pouco crítica do tal "ofício do escritor".

Ou então sou eu que sou cínico.


De Fernando Frazao a 30 de Novembro de 2009 às 17:40
Parafraseando:
A minha alma é como um cisne, só canta quando morre..."


De iii a 26 de Novembro de 2009 às 00:02
Cinta adelgaçante, só se for.


De Fernando Frazao a 30 de Novembro de 2009 às 17:48
Os editores apenas se preocupam com as vendas não tendo, na generalidade, qualquer intenção de transmitir através da capa ou outros sinais exteriores o conteúdo do livro.
Atente-se na capa da última edição do Pendulo de Foucault de Umberto Eco com um "teasing" ou sub-título a rivalizar com o melhor Dan Brown.
Já agora quando começam a colocar separadores nos livros decentes.
Repugna-me ter um separador publicitando um livro da Margarida Rebelo Pinto dentro de um livro do Philip Roth


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