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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

 

Aquele que Maria João Freitas escreve, dedicado a Borges. O Senhor Palomar aposta que José Mário Silva será acometido por um misto de regozijo (é publica a admiração do crítico pelo argentino) e inveja (por não ter sido ele a lavrar aquelas palavras). Não deixem de ler.  Um pequeno excerto: «Em 1955 é nomeado director da Biblioteca Nacional. Sobravam-lhe livros (tinha à sua disposição mais de 900 mil), mas faltava-lhe a vista. Os dois directores anteriores tinham igualmente cegado, como se de uma maldição se tratasse. A imensidão de uma biblioteca que jamais poderá ler assemelha-se a um castigo dos deuses. Tacteando com a sua bengala as ruas da cidade que já não reconhecia, percorria todos os dias a pé o caminho para a biblioteca, geralmente sozinho. As ruas da sua cidade tinham-se tornado invisíveis, ligadas pelas trevas. “Os olhos já não podem ver os livros nem a cidade, mas estão já minuciosamente fixados na sua memória e dela continuarão a brotar – embora anacrónicos – textos e poemas”.» 



publicado por Senhor Palomar às 00:01
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1 comentário:
De maria joao freitas a 6 de Outubro de 2009 às 12:57
Caro Senhor Palomar,
Muito obrigada pelas suas palavras (exageradas, é certo) sobre o referido texto, que deixaram as minhas mãos coradas. O José Mário Silva conhece este texto muito bem (e acredito que tenha gostado dele), pois foi publicado no DNa, onde ele era o editor e foi lá que há uns anos escrevi sobre livros, precisamente a convite dele. Talvez deva colocar no final do post essa informação.


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