Antes de dar novo pontapé de saída a este blogue (expressão apropriada num dia que o SL Benfica se prepara para trucidar os magricelas de Setúbal), uma palavra de apreço, e agradecimento sincero, a toda a equipa dos Blogs do Sapo: à Maria João Nogueira e ao Pedro Neves. Rápidos, atenciosos, profissionais e sempre de sorriso nos lábios (que é como quem diz: com elevada correcção e paciência nos e-mails). E acreditem que o Senhor pode ser um tipo muito chato. Já lá dizia o Maradona.
2.700 títulos impressos. 40 mil audiolivros (na Alemanha, este segmento tem outra força). Tudo no Literaturhotel Franzosenhohl, em Iserlohn. Ler aqui. Via Bibliofilmes.
«Não é isto uma ária de ópera para lhe meter agora um interminável adio, adio. Adeus, portanto. Até outro dia? Sinceramente, não creio. Comecei outro livro e quero dedicar-lhe todo o meu tempo. Já se verá porquê, se tudo correr bem. Entretanto, terão aí o “Caim”.» O Nobel deixa, contudo, a porta aberta para colaborações pontuais: «Pensando melhor, não há que ser tão radical. Se alguma vez sentir necessidade de comentar ou opinar sobre algo, virei bater à porta do Caderno, que é o lugar onde mais a gosto poderei expressar-me.» Ler texto na íntegra aqui.
«O Dr. Merdaíl. Disse Merdaíl? Enganei-me. É Madaíl, Madaíl. Depois do fiasco do Mundial-02 [Portugal eliminado na fase de grupos por EUA e Coreia do Sul], escondeu-se atrás de uma carcaça, atrás de um campeão do mundo [o Brasil venceu esse Mundial-02, com Scolari a seleccionador]. Isso é atirar areia para os olhos dos outros. Desculpe lá, mas apetece-me partir a loiça toda. Nasci aí, em Portugal, e não aceito que arruínem o nosso futebol.» Ler a entrevista completa de Sérgio Conceição no I. Entrevista por Rui Tovar ("Scolari levava os amigos da Nike para a selecção"), a Sérgio Conceição.
O Senhor Palomar nunca apreciou quem muito critica, mas nada faz. Poderia citar um conhecido autarca brasileiro que disse uma vez (frase profunda, aqui vai ela) "eu roubo mas faço", mas prefere relembrar Lincoln, que apontava o facto de só ter o direito de criticar, aquele que pretende ajudar.
Vaí daí, o Senhor Palomar reflectiu alguns minutos (o normal nestas ocasiões) e decidiu que deve anunciar a sua própria lista de candidatos às eleições que se aproximam. Com Italo Calvino como primeiro-ministro (um tipo meio cubano, meio italiano, ainda estamos para ver o que dará), espera-se um combate intenso com boa prosa, diálogos profundos, e discursos bem esculpidos. Sem meias palavras. Mas sobretudo sem verbos mal conjugados. Para desenjoar um pouco da política nacional.
Ler no Ciberescritas. A Editorial Presença publicou recentemente deste autor Honra o teu pai. Digam lá se o Senhor não parece saído de um filme do Al Capone.
«Foi impossível ler "Uma Noite Não São Dias" antes desta entrevista e tudo o que Zambujal revela à mesa de almoço são completas novidades. Uma das personagens da novela será um historiador que estuda a primeira década do século XXI, a nossa. O que "dá muito jeito" ao autor, porque pode "pô-lo a falar e a fazer descobertas incríveis sobre o que está a acontecer hoje". Há, portanto, um investigador que olha o nosso presente com grande admiração e que constata coisas deste género: "Aqueles gajos de 2000-2010 eram engraçados como o caraças, andavam todos vestidos de azul da cintura para baixo [alusão às calças de ganga]."» Ler na íntegra aqui.
O novo livro de Mário Zambujal, "Uma Noite Não São Dias", será publicado pela Planeta.
Maria João Pires aventou a hipótese de vir a adoptar unicamente a nacionalidade brasileira. Miguel Sousa Tavares seguiu-lhe os passos e apresentou semelhante proposta. Saramago garantiu que, por ele, o escritor até podia ir para Marte. Na LER deste mês, Miguel Sousa Tavares responde-lhe: «Não me preocupa nada que o Saramago fique lá a viver em Lanzarote porque não faz falta como contribuinte. Agora, eu faço falta ao País como contribuinte. Não tenho uma fundação que é um excelente meio de não pagar impostos e ainda ser ajudado.»
Fica por esclarecer se, de facto, Saramago não paga os seus impostos em Portugal.
«Saramago é ateu mas os seus livros supõem um sentimento religioso. Ao contrário de Richard Dawkins, por exemplo, que é ateísta militante e para quem a ideia de Deus não apenas é absurda como, ainda por cima, está na origem dos males do mundo. Saramago pode não andar longe, mas há um halo, uma respiração, um apelo do indizível e do invisível, os lugares onde Deus podia habitar: no meio do deserto ou na noite escura dos tempos, antes de os homens lhe terem emprestado o gene da crueldade e da vingança, e de se terem organizado em religiões rivais e exclusivas (“onde estou eu não podes estar tu”). Acontece que a ideia de Deus ou está em nenhuma parte ou em todo o lado.» Ler na íntegra, aqui, o texto de FJV.
Mário Zambujal regressa à ficção e ingressa na Planeta. O escritor e jornalista não terá conseguido resistir aos longos, louros e encaracolados cabelos de Cristina Ovídio. Fez bem.
O novo livro chama-se "Uma Noite não são Dias" e será lançado até ao final de 2009. Segundo comunicado da editora, «na Avenida Vertical, nome de uma torre habitacional de 98 andares no ano de 2044, ocorrem dois misteriosos assaltos, e ali nascem paixões, intrigas e descobertas surpreendentes». Não diz muito, mas continua a ser um Mário Zambujal.
As reacções ao novo livro de José Saramago já se começam a fazer sentir. Em resposta à frase-chave da obra, que emoldura o booktrailer («Que diabo de Deus é este que, para enaltecer Abel, despreza Caim?»), Maria Helena Pinto Ribeiro deixou na página de facebook do Senhor Palomar um pertinente comentário que aqui se reproduz:
«Não consegui encontrar no livro do Génesis a parte em que Deus despreza Caim. Devo ter saltado versículos.
O grande problema deste cidadão e de outros, é que não acreditando em Deus, conseguem defini-lo como alguém que escraviza, ou então alguém que faz do homem uma marioneta. O homem é escravo dos seus desejos de dominar, de possuir… enquanto Deus criou o homem livre. Livre para poder decidir que quer a paz e de lutar por ela… Pico della Mirandola percebeu isso muito bem.
Um Deus que tem “poderes suficientes para obrigar os impertinentes desavindos a depor as armas e deixar a humanidade em paz” continua a ser um Deus em quem não consigo acreditar e nem me esforço para isso.
Só quem alimenta os fantasmas que estão dentro de si próprios é que acredita que eles existem.»
«Sei, mais que nunca, que todo tradutor é um traidor. Mas, sem esses traidores, que seria de nós, leitores, e nossas naturais limitações para ler na língua original todas as obras interessantes que há nas prateleiras mundo afora?» Ler na íntegra aqui o texto de Robertson Frizero.
Lista do The Guardian. Recorde-se que, sobre este tema, a Bertrand publicará O Mundo Perdido do Comunismo - História Oral do Quotidiano do Outro Lado da Cortina de Ferro, de Peter Molloy e a LeYa Oceanos a obra A queda do Muro, de Olivier Guez e Jean-Marc Gonin.
«Saramago escreveu outro livro. O seu título é “Caim”, e Caim é um dos protagonistas principais. Outro é Deus, outro ainda é a humanidade nas suas diferentes expressões. Neste livro, tal como nos anteriores, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, por exemplo, o autor não recua diante de nada nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável: a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno a essa figura para exigir a si mesmos - ou talvez seria melhor dizer para exigir a outros- uma fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, ou morrer oferecido em sacrifício, ou matar em nome de Deus.
“Caim” não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra. Pois bem, com a cabeça alta, que é como há que enfrentar o poder, sem medos nem respeitos excessivos, José Saramago escreveu um libro que não nos vai deixar indiferentes, que provocará nos leitores desconcerto e talvez alguma angústia, porém, amigos, a grande literatura está aí para cravar-se em nós como um punhal na barriga, não para nos adormecer como se estivéssemos num opiário e o mundo fosse pura fantasia. Este livro agarra-nos, digo-o porque o li, sacode-nos, faz-nos pensar: aposto que quando o terminardes, quando fizerdes o gesto de o fechar sobre os joelhos, olhareis o infinito, ou cada qual o seu próprio interior, soltareis um uff que vos sairá da alma, e então uma boa reflexão pessoal começará, a que mais tarde se seguirão conversas, discussões, posicionamentos e, em muitos casos, cartas dizendo que essas ideais andavam a pedir forma, que já era hora de que o escritor se pusesse ao trabalho, e graças lhe damos por fazê-lo com tão admiráveis resultados.
Este último romance de José Saramago, que não é muito extenso, nem poderia sê-lo porque necessitaríamos mais fôlego que o que temos para enfrentar-nos a ele, é literatura em estado puro. Dentro de pouco tempo podereis lê-lo em português, castelhano e catalão, e então vereis que não exagero, que não me move nenhum desordenado desejo ao recomendá-lo: faço-o com a mais absoluta subjectividade, porque com subjectividade lemos e vivemos. E falo aos amigos, porque esta carta apenas a eles vai dirigida. Com muita alegria.
Felicidades a todos os leitores: um ano depois de A Viagem do elefante temos outro Saramago. São três livros em um ano, porque também há que contar com o Caderno, o livro que vamos lendo aqui em cada dia. Não podemos pedir mais, o nosso homem cumpriu, e de que maneira. A idade, amigos, aguça a inteligência e agiliza a capacidade de trabalho. Que sorte a nossa, leitores, de ter quem nos escreva.
No próximo livro, cujo título é ainda segredo. Ler no La Vanguardia.
Acerca da sua relação com Deus, José Saramago é claro, quem o salvou não foi Deus: "Moriremos cuando tengamos que morir. A mí me salvaron los médicos, me salvó Pilar (su esposa y traductora), me salvó el excelente corazón que tengo, a pesar de la edad. Lo demás es literatura, y de la peor".»«
Roth, Lobo Antunes, Saramago (por vezes a sequência é outra), inédito de Dennis McShade, Francisco José Viegas, Luísa Costa Gomes, Bolaño, Richard Yates, Toni Morrison, Adília Lopes, Joaquim Manuel Magalhães. Isto promete.
O Senhor Palomar lamenta que a notícia seja pouco clara quanto ao que será lançado na área do ensaio, na história, da política (entre outros) . A Edições 70 não vai publicar nada? A Gradiva? A Antígona? Entre outros.
A propósito do post que anunciava a Ahab Edições, o Senhor Palomar recebeu dois e-mails e um comentário a solicitar o contacto desta nova editora. O Senhor Palomar esclarece que nada tem que ver com este projecto, mas tem todo o gosto em aqui colocar um post para que esta editora o possa ver e, se assim o entender, enviar-lhe esses mesmos contactos, que fará chegar a quem de direito.
Cara Saturnine, o Senhor Palomar disse-o num dos primeiros posts e volta a repeti-lo: não gosta nem quer incomodar. Muito menos desviar profissionais de cumprir os seus propósitos, reduzindo dessa forma a produtividade do país. Para isso, já basta quando o SL Benfica ganha por apenas 3-0 e no dia seguinte toda a gente protesta porque razão aqueles tipos não deram pelo menos seis ao adversário. No lugar de ler o Senhor Palomar, poderá sempre comer uma peça de fruta, já Ricardo Araújo Pereira assim o avisa. Mas o melhor, melhor mesmo, talvez seja seguir a indicação do Bookseer e, a partir de 26 de Setembro, ler o 2666. O Senhor Palomar fará o mesmo.
O Sporting CP prestigiou-se e prestigiou o futebol nacional. Discussões proto-metafísicas à parte de não usarmos o futebol como bandeira do que seja, o Senhor Palomar gostou de ver o Sporting bater-se. Como um leão, vá, reserve-se o cliché.
Djaló falhou, com poucos minutos de jogo, um quase-golo. Faltou-lhe o killer instinct que faz a diferença nestas alturas. Um pouco menos de ouro, uma dose maior de sonho, e a bola teria entrado.
Agora fará companhia ao SL Benfica. Estará em boa companhia, portanto. Sejam bem-vindos, amigos lagartos. Se tudo correr como planeado, lá para o segundo trimestre, encontramo-nos na final. Coisa para se ver entre amigos, com bons fumos e boa comida, devidamente regada por vinho de qualidade superlativa.
6-3 e 5-0 são resultados que aparecem na cabeça do Senhor Palomar. Que Jesus nos ajude.
Brontë, Darwin, Proust, Warhol, entre outros. Todos hipocondríacos. Agora há um livro que conta essa parte da história. Chama-se Tormented Hope : Nine Hypochondriac Lives, e foi escrito por Brian Dillon. A edição é da Penguin.
«Sim, claro que sim, claro que se falará. Alguém duvida? E concordo com Vaccaro noutra afirmação: Borges pode não ter sido o melhor escritor de todos os tempos (nem ele aspiraria a tanto) mas foi certamente o melhor leitor de todos os tempos. Aliás, invejo ainda mais as suas leituras do que os seus maravilhosos poemas, contos e ensaios.»
Depois deste post, que tanta polémica e comentários suscitou, e coincidência ou não (apesar de a Margarida nos ter ensinado que there's no such thing), eis que a Bola acrescentou um link à sua tabela classificativa, que nos remete para os critérios de desempate. Mas o Senhor Palomar, contudo, continua sem entender, pois como as equipas com 4 pontos (entre os 3.º e 6.º lugar) ainda não jogaram entre si, as três primeiras alíneas não servem de justificação.
A quarta alínea, contudo, parece servir ao caso:«Maior diferença entre o número dos golos marcados e o número de golos sofridos pelos Clubes nos jogos realizados em toda a competição». O SL Benfica marcou 2 golos , o FC Porto 4, Belenenses e Rio Ave, 2. Em golos sofridos, Benfica, FC Porto e Rio Ave sofreram ambos 1 golo. O Belenenses continua invicto. Logo, quem tem maior «Maior diferença entre o número dos golos marcados e o número de golos sofridos [...] em toda a competição» é o FC Porto (3), seguindo-se Belenenses (2), e por fim Benfica e Rio Ave, com 1 golo.
Mas note-se, apesar de tudo que fique bem claro: este post não é uma queixa. Apenas um esclarecimento. O lugar por direito e estatuto do FC Porto é, toda a gente sabe, atrás do clube da Luz. O Senhor Palomar lamenta averbar este tipo de evidências de forma fria e calculista, mas já Descartes nos alertava para as verdades puras e cristalinas.
«... pergunto com medo que a minha ausência do mundo “on-line” me leve a perder o momento em que todos ficam a saber quem está por detrás do blogue que está a agitar o meio literário português.» Entrada de 5 de Agosto de Isabel Coutinho, aqui, duplicando no seu blogue a reportagem publicada na Pública do passado domingo.
E sim, estimada Isabel Coutinho, já muita gente sabe. Calcula o Senhor Palomar que a esta hora também já saiba. Ou não?
Chamam-se Ahab (o que é um excelente precedente para coisas boas) e, no dia 22 de Outubro, os seus primeiros títulos chegam às livrarias. Às boas e às outras, espera-se.
São uma nova editora, já se percebeu, está sedeada no Porto e servem para entrada "Pergunta ao pó" (John Fante), "Pudor e dignidade" (Dag Solstad) e "A ilha" (Giani Stuparich). Com nomes destes, o Senhor Palomar está rendido. Estaremos na presença de uma nova Cavalo de Ferro? O Senhor Palomar está ansioso.
«Sebastian Faulks has moved quickly in an attempt to avert criticism over his comments about the Qur'an, which he was quoted describing as "just the rantings of a schizophrenic" with "no ethical dimension" in an interview with the Sunday Times yesterday.» Ler na íntegra no The Guardian.
A Editorial Presença começará a publicar, a partir de Setembro, a obra completa de Florbela Espanca. Eis o calendário de lançamentos: - Obra Poética (vol. I) – 15 de Setembro 2009 (foto acima) - Obra Poética (vol. II) - 2010 - Contos (vol. III) – 2010 - Correspondência (vol.IV) - 2010
«No Bosque do Espelho toma como ponto de partida a obra-prima de Lewis Carroll, adoptando como divisa o mot de Heraclito: «Nunca mergulhas no mesmo livro duas vezes». Trata-se de uma colectânea de ensaios de muito diversa proveniência: artigos encomendados, textos para cursos de jornalismo das artes, conferências, recensões críticas, antologias gay, introduções e posfácios. Manguel estabece um fio condutor entre textos de Borges, Cortázar, Chesterton, Melville, Cynthia Ozick, Santo Agostinho e outros. Do ponto de vista da erudição e do ofício, tem a perfeição do amanuense culto. Mas raramente nos surpreende com um golpe de asa.» Ler na íntegra aqui.
«A editora não pretende que 2666 seja para qualquer leitor. A escolha da Quetzal é certamente interessante para certos gostos mais requintados e com certas tendências intelectuais (afinal temos que estar a par do que se diz bem lá fora…), mas a julgar pela capa algo comercial e desinspirada, não sei dizer se conseguirão atingir o sonho de qualquer editor: ser um sucesso entre a crítica em paralelo com uma significativa adesão das massas que desejem ler o livro. Desejem ler, logo, comprar.» Safaa Dib, da editora Saída de Emergência, fala de 2666, de Roberto Bolaño. Ler na íntegra aqui.
Recorde-se que o lançamento de 2666, pela Quetzal, será feito a 26 de Setembro.
«Há uns meses, cruzei-me com o Michel Foucault na Pó dos Livros. Ele estava mesmo ao lado do Franz Kafka. Talvez estivessem a discutir a forma kafkiana como a sociedade vigia e pune o indivíduo. Talvez devesse ter confirmado com Jean-Paul Sartre se era mesmo isso, pois pareceu-me vê-lo atrás deles, calado e a tentar passar despercebido, escutando as palavras trocadas (em que língua seria?) pelo filósofo francês e pelo escritor checo. Umas semanas depois, encontrei o Van Gogh na Fnac, entre a Jane Eyre e a Mona Lisa de corpo inteiro, como se o atormentado pintor estivesse indeciso em relação a qual das damas convidar para dançar. Espantosamente, um destes fins-de-semana vi o James Joyce no El Corte Inglês. Sabem acompanhado de quem? Da Frida Kahlo.» Ler na íntegra aqui.
Numa altura em que quase se celebram os 140 anos sobre a morte e os 200 anos sobre o nascimento de Dickens (1812-1870), começam a surgir as primeiras obras à volta deste autor. Para já, perfila-se um livro de ficção.
«Embora não seja discernível uma estrutura musical evidente, há linhas melódicas que se propagam através do livro, com uma certa cadência, uma certa entoação, repetindo-se aqui e ali como um retornelo (não por acaso, o título original é Ritournelle de la Faim). Também não por acaso, o único momento histórico em que Ethel e a verdadeira mãe do autor coincidem é a estreia do Bolero de Ravel. Essa peça que parece «uma profecia» e leva os instrumentos até aos seus limites, «até à estrangulação, até quebrarem as cordas e as vozes, até quebrarem o egoísta silêncio do mundo». O mesmo efeito que Le Clézio, com menos violência e menos estrépito, acaba por conseguir neste romance belíssimo, melancólico mas nunca resignado.»
«Há por aí um grupo de pessoas dedicadas a tecer loas a uns aparelhos muito modernaços que, segundo consta, servem para ler e são capazes de armazenar quatrocentos livros lá dentro. Não sei como é que estes indivíduos fazem para arranjar vagar para ler quatrocentos livros ou a que habilidades circenses se dedicam para conseguirem lê-los todos ao mesmo tempo. Eu só consigo ler um livro de cada vez e, se tivesse tempo para ler quatrocentos livros, preferia ir morar numa biblioteca.» No Teatro Anatómico, post "Reader".
O Sporting CP conquistou, ao fim de duas jornadas, um ponto. O que dá meio ponto por jornada. A continuar assim, o Sporting CP terminará o campeonato com 15 pontos, o que poderá ditar a despromoção do grande rival da Luz. Este cenário causa preocupação no Senhor Palomar, já que ele gosta de ter adversários à altura.
O Sporting CP também tem a solidariedade do Senhor Palomar.
Solução aqui. Basta colocar o último livro que leu, que a aplicação devolve-lhe uma série de resultados. Sob a resposta Palomar, o programa devolveu sugestões que vão de Joyce, a Dante, Rilke, a... Calvino.
O Senhor Palomar não tem reservas em dizer que tem dúvidas. Dito de outra forma: engana-se e tem dúvidas. A mais recente prende-se com a tabela classificativa do campeonato nacional de futebol, presente no website de A Bola. Ao olharmos para a mesma, em baixo, percebemos que o Benfica foi classificado em terceiro lugar, após ter conseguido um empate e uma vitória. Exactamente os mesmos resultados que o FC Porto e o Rio Ave, averbatando 4 pontos. Diferenças? O FC Porto tem mais 2 golos que os outros dois adversários. No entanto: o Benfica surge em terceiro lugar, o FC Porto em quarto e o Rio Ave em quinto.
E a dúvida é só uma: porque é que o Rio Ave está em quinto lugar e não em quarto, quando conseguiu exactamente a mesma performance que o clube da Luz? E depois dizem que o sistema não funciona.
«André Kertész (1894 - 1985) foi um fotógrafo dos mais originais, inventivos e influentes do séc. XX. De origem húngara, mudou-se primeiro para Paris (em 1925) e depois para Nova Iorque (em 1936), onde não conseguiu assegurar imediatamente um posição de sucesso enquanto fotógrafo e só em meados da década de setenta é que o seu trabalho nesta área foi amplamente reconhecido, sendo-lhe reconhecido um lugar na história da fotografia.» Continuar a ler aqui, aqui e aqui.
O Senhor Palomar não tem segredos, embora aparentemente os tenha. Os segredos do Senhor Palomar, se os tivesse, seriam desinteressantes e dificilmente fariam vender o que Rhonda Byrne faz vender por esse mundo fora. Para perceber o que aqui se diz, bastará pensarmos que a senhora autora, e seus sucedâneos, já venderam mais livros do que caracteres que este blogue alguma vez terá.
Quem tem segredos, nesta coisa dos livros, já se sabe, é José Prata. Ex-jornalista, ex-autor (pelo menos enquanto não amadurecer mais, palavras do próprio), tem um faro pouco comum para a edição de livros e faz de cada uma das suas obras um exemplo de bem publicar. Podemos até nem gostar dos autores, dos livros, dos temas abordados (o Senhor Palomar não gosta da esmagadora maioria), mas numa coisa somos obrigados a ceder: os livros são bem feitos, são bem trabalhados, estudados ao mílimetro para facilitar a leitura. Do leitor, pois claro.
O Editor que curte o sanguinho (há que lerOs coxos dançam sozinhos, da sua autoria, para perceber a private joke) gosta também de livros e sabe como fazer para que os leitores gostem deles. E isso é tudo o que o Senhor Palomar pede a um editor: que o faça gostar, ainda mais, de livros.
Na foto vemos José Prata a ser beijado pelo Dr. Oz, autor da série You (extraído do seu facebook).
«Todo o verdadeiro leitor sabe que na praia não se consegue ler. Não há posição. Deitados para baixo sucumbiremos às dores de cotovelos em dez minutos; para cima, não aguentaremos os braços no ar mais de cinco minutos; de lado, sentiremos o ombro esmagado dentro de três minutos. Já para não falar da luz — aqueles raios solares virginais, disparados pelo buraco do ozono sobre a página branca. Não é possível, lamento. Basta de enganos. A ideia romântica de passar umas férias na praia a ler romances não se compagina com a realidade. Eu já me conformei com isto. Mas aquele homem não.» Ler até ao fim aqui.