
O Senhor Palomar é um ingrato. Voltou, começou a garatujar umas coisas, foi postando e não avisou ninguém. Sobretudo quem importa. É um ingrato e merece ser devidamente punido com a sobranceria de todos. Por isso mesmo e sem ironias, o Senhor Palomar espera pouca atenção de ora em diante. Um tipo que desaparece durante uns tempos e se esquece do que é importante não merece ser lido, citado, linkado, muito menos visitado. Mas sejam muito bem-vindos todos aqueles que ainda por aqui passam, ao fim de tanto silêncio.
Lembrança do livreiro, ilustrador, autor, dj, entre outros, Pedro Vieira. Recentemente, foi anunciado que Pedro Vieira se prepara para lançar o seu primeiro romance. Título avançado: «Última estação: Massamá». Editora ainda por revelar.
![[philip+roth.jpg]](http://4.bp.blogspot.com/_fw9m61IFmhk/S6LITBOLAII/AAAAAAAACk4/XHgr6zdXI5c/s1600/philip%2Broth.jpg)
Na verdade, até nem é assim tão pesada. É alta, mas não é pesada. É a Mónica Marques, autora do Sushi Leblon e do quente Transa Atlântica (Quetzal). Para (per)seguir aqui.

O elefante que a Disney celebrou tem como base o conto "Dumbo, el elefante volador", de Helen Aberson e Harold Pearl. Agora já com 70 anos, quem diria, é lançada uma edição especial da película, por parte do gigante norte-americano. Para ler no La Vanguardia.

Em dois volumes, que é como quem diz em dois filmes, para fazer render o peixe. Gravações arrancam em Julho. Realização a cargo do senhor abaixo, Guillerme del Toro.

O The Economist dá algumas pistas. Ao baixo, uma representação de Lisbeth Salander, a partir da adaptação europeia da trilogia de Larsson. Relembre-se que os estúdios norte-americanos da Columbia anunciaram recentemente que irão levar ao grande ecrã uma nova adaptação dos livros.

Edição Fnac / Assírio Alvim, por 4 euros. Compilação dos melhores versos de 2009.
Uma edição Tinta-da-China, que já publica as crónicas do outro gato, Ricardo de Araújo Pereira. É favor clicar na imagem para mais detalhes.
Um dos grandes livros de 2009, publicado pela Bertrand (capa abaixo). Recensão para ler no N.Y.Times.


«"To this day I have this wish – she was always religious and she converted to Catholicism. I wish she had converted to Islam. She might still be alive because of the continence of Islam, the austerity, the demands it makes on you. I just sort of helplessly think it every now and then. She would only be 56 now and she'd still be here"». Declarações proferidas em Abu Dhabi, para conferir no The Guardian.

As cartas datam do período 1951-1993 e têm como interlocutor Michael Mitchell, um dos amigos íntimos do autor norte-americano, autor da primeira capa de À espera no centeio. Ler no El Mundo. Fica a pergunta: para quando os inéditos da arca? Para já fica a notícia de, com as cartas, terem sido divulgados 9 contos inéditos.

1. Já víamos Alice a 3D, mesmo sem óculos. Só precisávamos do livro.
2. Com o livro nas mãos, nunca ficámos com dores de cabeça.
3. Tim Burton é um génio, mas Carroll é-lhe superior. Ou dito de outra forma, desta vez Carroll leva vantagem.
4. Alice, de Burton, não é um big fish.

O José Mário Silva sabe-a toda. Sabe-a de tal forma, que seria óbvio que o Senhor Palomar não seria capaz de ler aquele post e não dar resposta. Contudo, a questão de fácil formulação, tem apenas uma resposta de contornos complexos. É a vida.
O Senhor Palomar anda, continuará a andar, por aí. Atento e vigilante. Apenas mais silencioso. Um dia destes, o Senhor Palomar (não sabe quando) volta ao convívio livresco e blogosférico. Novidades aproximam-se, de facto, mas não será para breve.
Até lá, o único desejo é que os leitores continuem a ler bons blogues. Como o do José Mário, pois claro.
O Senhor Palomar gostaria de dizer que se regozija com a alegria dos seus amigos do FCPorto. Conseguir, finalmente, e ao fim de tanto tempo, marcar 5 golos num só jogo deve ser, para os lados das Antas, digno de um feito histórico. Para eles, mas não só para eles, um cálice.

Depois do alucinante "A ofensa", o segundo volume da trilogia, do escritor asturiano, dedicado ao Mal (Porto Editora). Segundo a nota enviada pela editora, «uma terrível ameaça recai sobre Promenadia, uma pacata cidade costeira. Um assassino em série, que seduz vítimas e verdugos, actores e espectadores, transforma-se na sombra da comunidade.»

Mas ainda assim quer que A Sala Magenta, do grande Mário de Carvalho, seja o vencedor. O anúncio do vencedor do Prémio Corrente D'Escritas será feito no dia 24 de Fevereiro.

Ao dar a morte anunciada (são todas) de Banville. Claramente, as notícias do escritor eram exageradas. Ficam as desculpas do Senhor Palomar e o agradecimento deste narrador ao leitor atento que chamou à atenção para o erro (entretanto corrigido).
Dada a pouca actualização da plataforma, as palavras de Eduardo Coelho são exageradas. No entanto, não é por isso que o Senhor Palomar deixa de gostar de as ler. O Senhor Palomar agradece.

JG Ballard (ao alto), Bellow, Wallace (em ascensão), Miller, Pinter, entre outros. Infelizmente, entre outros. Lista pelo The Guardian.
Poemas Portugueses, Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, organização de Jorge Reis-Sá, Rui Lage.
Raymond Carver, Eduardo Pitta, Milton Fornaro, Pablo Ramos, Hector Abad Faciolince, José Luís Peixoto, Guillermo Cabrera Infante, Roberto Bolaño, Vergílio Ferreira, Mónica Marques, Lourenço Mutarelli, António Manuel Venda, Claudio Magris, Mempo Girardinelli, José Rentes de Carvalho, Arthur Dapieve, Susan Sontag. Caramba.
O Senhor Palomar tem inveja do descaramento da Time Out.
Um bom 2010 a todos.
Henry Miller nasceu a 26 de Dezembro de 1891, tendo falecido a 7 de Junho de 1980, em Nova Iorque. A trilogia "Sexus, Plexus, Nexus" fê-lo entrar definitivamente na História da Literatura. Mas o Senhor Palomar gostaria de deixar claro que nem toda a sua obra é sexo e suor. Há outras obras por descobrir que mostram que o autor não se limitou a descrever o erotismo (ou para alguns, a pornografia).
Quase tão famoso quanto esta trilogia, ou para outros mais famoso, é o seu relacionamento com a Anais Nin. Este relacionamento viria mesmo a dar um filme, Henry and June, com a portuguesa Maria de Medeiros, bem como o livro "Cartas a Anaïs Nin», publicado em Portugal pela Difel.
O Senhor Palomar passa a vida atrasado para os autocarros. Não sabe se confunde os horários, se é a existência, só por si, destas tabelas que o confunde. Isto é algo que ele nunca foi capaz de entender.
Este autocarro era importante. Já passou. Goze-se por isso o bacalhau, o peru e o bolo-rei; as gargalhadas dos sobrinhos, e dos filhos a haver, em redor da árvore com o presépio; os laços e o papel de embrulho que se guardam para a efeméride seguinte. Esqueçam-se os exageros, pondere-se por uma vez andar a pé, que o autocarro nunca espera. As prendas já estão todas compradas, falta só desembrulhar. E gozar o dia.
Um feliz natal a todos.
Obrigado, Tiago, só hoje vi. Um abraço forte.
Em Janeiro, o Senhor Palomar tentará voltar ao ritmo do costume.
O Senhor Palomar agradece a Eduardo Pitta a simpática referência no artigo de balanço da primeira década do século XX, publicado na LER deste mês, e no qual este blogue aparece referenciado como "literário", ao lado de colossos como Ciberescritas, Cadeirão Voltaire ou Bibliotecário de Babel.
Um abraço, Eduardo.
Isabel Alçada diz que introdução do Acordo Ortográfico será de forma "serena".
Comemoram-se hoje 152 anos sobre o nascimento do autor de «O Coração das Trevas», (biografia do autor aqui), recentemente publicado pela Dom Quixote na colecção Biblioteca António Lobo Antunes. Ver outras obras publicadas em Portugal aqui. «Nostromo» é apontada como a obra-prima de Conrad. Ler mais sobre esta obra .
Edição Quetzal. Hoje nas livrarias.
Escritor é um bicho violento, já sabemos. É pouco dado a benevolências para com os seus leitores e se tiver de nos dar um estalo em cheio na cara, não hesita. Escritor é um bicho violento e não se compadece com meias medidas. Vive no extremo e é do limbo que faz o seu dinheiro para colocar o pão na mesa. Porque a verdade é que sendo eles verdadeiros abutres das circunstâncias , precisam de comer como os outros. Convém não esquecer isto, para que depois possamos todos ser um pouco mais compreensivos com algumas opções (ditas) mais fáceis.
30 anos de mau futebol, por João Pombeiro. O editor da LER já compilara as grandes frases políticas do pós-74. Agora fez o mesmo para o futebol. E é todo um banho de bola.
Na elaboração de um livro, o autor escreve, reescreve, elimina, faz escolhas. Perde horas para encontrar uma palavra, desgasta os dias preocupado com a solução para um enigma que o livro lhe trouxe. Não descansa enquanto não tem o problema resolvido, tenta ao máximo que o original seja claro para quem o lê. Desfaz-se em palavras para que o leitor perceba que aquela era a letra que faltava.
Mas quantas vezes, nós leitores, conseguimos vislumbrar este esforço que só trouxe angústia ao autor? Quantas vezes o editor se preocupa com o ofício do autor se ele acha que basta colocar uma cinta, ou um autocolante, que o leitor é tão estúpido que vai ser enganado?
Quantas vezes?
Parece que existem mais editores que editors. Parece que para alguns autores é mais confortável ter um publisher, que compram obras a autores sem as ler. O assistente editorial que se amanhe depois a pescar as ideias no meio da salganhada de frases e parvoíces. Afinal de contas é para isso que ele está. E o publisher, nestes casos, para que serve? E o autor será um verdadeiro autor? Por ligação à publicidade, poderia dizer-se que estes redactores são copys. Embora a designação mais correcta pareça ser paste.
Ou jogador de futebol. Um dos dois. Assim como assim, tudo anda à volta de levantar as pessoas do seu assento, onde estão confortavelmente acomodadas, e esperar pelo aplauso.
Mentir deve estar para os escritores mais ou menos da mesma forma que as bigornas de ferro fundido estão para os ferreiro-armadores. É sobre elas que moldam as ligas de metal, tal como é usando mentiras e o encapotamento que qualquer escritor que se preze avança. A verdade é um instrumento tão maleável quanto a liga de metal fundida que dá origem ao acessório que o ferreiro molda, e que mais tarde usamos para nossa inveja e necessidade. E gáudio, já agora.
Bolaño é um escritor de mão cheia e como tal acha que, com a verdade, pode fazer uso da ficção para nos atirar com a bigorna à cabeça, deixando-nos débeis para toda a vida.
Senhor Roberto Bolaño, deste lado o Senhor Palomar deixa-lhe um recado: o facto de estar morto não lhe dá o direito de nos vir assombrar.
Apresentação de "O Mar em Casablanca", de F.J.Viegas. Discursos preliminares a cargo de Mónica Marques e José Eduardo Agualusa.

Nocturno, de seu nome, a obra será publicada pela Sextante (uma das editoras preferidas do Senhor Palomar. O lançamento é já no dia 24 de Novembro, pelas 21h30 (Ler Devagar - LX Factory).
Cristina Carvalho estreou-se em 1989, com a obra “Até Já Não É Adeus. É filha do professor e poeta Rómulo de Carvalho (António Gedeão) e da escritora Natália Nunes. Publicou contos em várias revistas e jornais (Jornal de Letras, Revista Egoista, entre outros). A sua última incursão na ficção deu-se março deste ano com o romance “O Gato de Uppsala” (ver blogue), também na Sextante Editora.
BE pergunta a Silva Pereira quanto é que o Estado gasta em publicidade nos media.
Lista do Times. Curiosamente, nos 5 piores da década está O Código Da Vinci, de D. Brown (que também figura da primeira lista). Aqui, a escolha dos críticos daquele jornal.
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Pistas na Ñ. Como se todos fôssemos o Grande Irmão.

Recorde-se que esta editora já leva bastante adiantada a publicação da obra completa de RB.
Escritor é gente que não sabe amar sem meias medidas. Nem à vez, já agora. São conhecidas as muitas infidelidades de J. P. Sartre. «Não se pode dormir com todas as mulheres do mundo, mas esse esforço deve ser feito», disse-o Jorge Amado. É longa a lista, e é contemporânea esta realidade. Há um autor das Publicações Dom Quixote que está sempre reunido de mulheres. Como um íman, vejo-o trocar copos e sorrisos. Numa entrevista de vida, António Lobo Antunes (outro autor Publicações Dom Quixote) disse a João Céu e Silva que não tinha tido assim tantas mulheres. O interlocutor, que se dispôs a reunir numa longa entrevista o vasto percurso biobibliográfico do autor, colocou uma nota para o leitor que confirma que, na verdade, foram muitas. Não é que de facto, para o vulgar humano, não tivessem sido muitas as mulheres que António Lobo Antunes teve. Por isso nem o escritor estava a mentir, nem o comentário do interlocutor era despropositado. Cada um de nós vê o mundo com o seu olhar e todos nós temos bagagem quando embarcamos. Por isso, e porque António Lobo Antunes não parece ter um problema com a aritmética, o que ali se assistiu foi a diferença de mundo entre um vulgar homem e um (grande) escritor. Se nos comovemos com o que escrevem, é porque o fazem de forma exacerbada e única. E se há autores que precisam de uma musa, na verdade o que eles estão a dizer é que precisam de materializar numa ideia o mundo todo. Todas as mulheres. Uma por uma: as belas, altas, magras, mas também as gordas, as feias, as desajeitadas.
São conhecidas as aventuras amorosas de Lobo Antunes, em que mulheres lhe dão o número de telefone em caligrafia delicada, esperando que sejam uma das eleitas. Algumas, ao que parece muitas, são-no. Não será por isso à toa que muitos convidados acabaram por ser expulsos do local onde o escritor escrevia. Estavam a mais. O autor precisava de amar. Só mais um pouco. Uma amiga do Senhor Palomar fez uma vez uma pergunta ao autor de Manual dos Inquisidores numa sessão pública. A pergunta perdeu-se no vozeirio e nos silêncios da sala. Mas Lobo Antunes não a esqueceu: a ela nem à pergunta. No final, disse-lhe que gostara da pergunta. Estiveram 30 minutos a falar, só os dois. Durante aquele período, a amiga confirma-me que ele passou o tempo todo a olhá-la. Foram apenas 30 minutos da sua vida, mas volta e meia conta-me a história. Again and again. Ela conta sempre isto sem se importar, como se o olhar de António elevasse, ou pelo menos não pesasse. Talvez seja isso.
Claro que existe sempre o outro lado, bem como o machismo latente em cada uma das frases que o Senhor Palomar escreveu até aqui, coisa que o narrador não quer ser acusado pela Senhora Palomar. Ela sabe que não é assim, bem certo, porque já o conhece o suficiente, mas nada como colocar os pontos nos i. Claro que o outro lado o comove (não preocupa). Nem mesmo uma mulher independente e livre como Simone Beauvoir era capaz de lidar, sem sofrer com essa situação, com os muitos amores do Nobel francês. E é claro que tudo isto que foi dito nos primeiros parágrafos desculpabiliza uma série de choros e tristezas. Houve vidas decepadas e rotinas destruídas, que acabaram na caixa de urgências. Houve quem nunca mais dali saísse. Mas isso dá-se apenas porque ainda não percebemos que escritor é um bicho. É um bicho com mais ventrículos e aurículas que o vulgar homem. Escritor acha que ali caberá, sempre, todo o mundo. E o mais provável é que caiba mesmo.

Parabéns, Luís Naves. Um abraço.
O Senhor Palomar está longe. Tal como indicou, só muito espaçadamente pode vir à net. Hoje, deu-se um desses espaços. Ao fazer uma curta, e selecta, leitura pela blogosfera, reparou que Marodona voltou a referenciar o Senhor Palomar. O que o deixa muito preocupado.
O A Causa foi modificada merece ser lido. Mas o Senhor Palomar teme que tanto mono-tema leve a que os leitores fiéis e possíveis outros se afastem daquele blog. O que seria tremendamente injusto. Algo preocupado e desconcertado, o Senhor Palomar deixa um conselho ao Maradona: que siga a linha editorial do costume e deixe, de uma vez por todas, de se preocupar com o Senhor Palomar. Deseja-lhe ainda um bom domingo, dia do Senhor, e que pare de andar a cuscar o sitemeter dos outros. O Senhor Palomar lembra que também ele já passou por este escrutínio do Maradona. Dias difíceis, e de dúvida vivem-se por aqueles lados: o Maradona tem a solidariedade do Senhor Palomar.
O Senhor Palomar estará longe de computadores nos próximos dias e os acessos à net serão feitos apenas de forma muito espaçada. É pois natural que a actualização do blogue não seja a habitual. O Senhor Palomar espera que no seu regresso ainda mantenha algum leitor.
Obituário no Público.
- O Mundo Branco do Rapaz-Coelho, de Possidónio Cachapa. Regresso do autor de Materna Doçura, agora na Quetzal.
- E Então Vai Entender, de Claudio Magris. Primeiro livro do nobilizável na Quetzal.
- O Sítio das Coisas Selvagens, de Dave Eggers.
- Todas as Viúvas de Lisboa, de Alexandre Borges.
- A Estrela, de Vergílio Ferreira.
- O Livro do Homem, por João Bonifácio. Com ilustrações de Pedro Vieira.
- Trinta Anos de Mau Futebol, de João Pombeiro. Com ilustrações de Pedro Vieira.
- Salazar e os Milionários, de Pedro Castro.
O Twingly não funciona.
Renaudot (Quetzal) para Hubbert Haddad. Goncourt para Marie NDiaye.
Comemoram-se hoje 90 anos sobre o nascimento do autor de «Sinais do Fogo». 2009 está a ser profícuo em acontecimentos em redor deste autor: O Estado Português decidiu transladar o corpo de Sena dos EUA para Portugal, ainda este ano foi feita a doação do seu espólio à Biblioteca Nacional e em Junho deste ano a Guimarães Editores anunciou que iria reeditar toda a obra do autor (o primeiro livro sairá em Novembro).
Ler aqui o artigo de Fazenda Lourenço sobre Jorge de Sena.
O Senhor Palomar deixa ainda um pequeno texto extraído do primeiro volume de Conta-Corrente (entrada de 05 de Fevereiro de 1969), de Vergílio Ferreira, no qual este traça o perfil de um autor com o qual manteve, por vezes, uma relação de conflito: «Folheados Os Sonetos de Camões, de Jorge de Sena. Há dias ouvi-lhe uma conferência na Sociedade Nacional de Belas-Artes. Sena vive no «exílio» que escolheu. Havia pois grande expectativa. Mas o resultado ficou aquém. É uma figura singular, esta, no nosso meio cultural. Poeta, dramaturgo, ficcionista, crítico, erudito de várias erudições. E todavia Jorge de Sena não tem propriamente um «vioino de Ingres». O talento alargase-lhe por todos os sectores. Vai ser difícil arrumá-lo mais tarde. Porque todos os autores se ordenam em função de algumas ideias fundamentais, mesmo o disperso Pessoa. Jorge de Sena é múltiplo por natureza. Aliás, ele próprio parece detestar as «ideias gerais» sobre qualquer assunto.» (Vergílio Ferreira, Conta-Corrente (1969-1976), 3.ª Edição, Bertrand Editora, 1982, p.13).

«Saramago opõe a laicidade à cesura entre sagrado e profano. Nada contra. O óbice releva de inadequação discursiva: «As duas irmãs ficaram grávidas, mas caim, grande especialista em erecções e ejaculações como gostosamente o confirmaria lilith, sua primeira e até agora única amante [...] a coisa simplesmente não se lhe levanta, e se não se lhe levanta a coisa, então não poderá dar-se a penetração...» Não estamos em 1885, quando A Velhice do Padre Eterno, de Guerra Junqueiro, provocou tumultos de rua. Hoje, as peculiares idiossincrasias de Saramago não incomodam ninguém. Sobretudo porque o efeito “máquina do tempo” (Caim protagoniza episódios em épocas diferentes) anula o efeito de provocação.» Ler na íntegra aqui.
Numa altura em que a Tinta-da-China publica um volume de entrevistas da Paris Review, vale a pena ler o artigo de Rushdie no Times, em que este explica por que razão aquelas entrevistas são essenciais.
«O reitor da Universidade de Évora, Jorge Araújo, garantiu hoje que, perante o actual modelo de financiamento do Ensino Superior, a instituição [Universidade de Évora] “não é economicamente sustentável” e depende, “em última instância”, da “atenção” do poder político.» A melhor parte da formação do Senhor Palomar deu-se a partir dali. E por isso o Senhor Palomar lamenta tudo o que possa estar colocar em causa a Universidade de Évora. Bela cidade: grande escola.
«Os editoriais, a partir de hoje, deixarão de ser assinados. Os editoriais expressarão o pensamento desta direcção e deste jornal sobre o mundo que procuramos descrever, compreender e analisar página a página. Não queremos doutrinar nem vender receitas. Queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos. Os editoriais serão escritos pelo novo Gabinete Editorial, composto pela direcção e mais cinco jornalistas do PÚBLICO - Teresa de Sousa, Jorge Almeida Fernandes, Margarida Santos Lopes, Ricardo Garcia e Vítor Costa. Há 20 anos, quando nascemos, foi decidido que os editoriais seriam assinados com base em duas ideias: seriam mais acutilantes e comprometeriam apenas o seu autor. Hoje sabemos que essa ideia original se tornou utópica e que um editorial compromete todo o jornal - é a cara do jornal - e não pode, por isso, ser veículo da opinião de uma só pessoa. Acreditamos, também, que é possível escrever editoriais incisivos, com pontos de vista corajosos e provocadores, que questionem e mobilizem a sociedade. Os novos editoriais do PÚBLICO, são, portanto, textos de opinião do jornal como instituição. A mesma filosofia será aplicada à secção Sobe e Desce.» Ler na íntegra aqui.
O Senhor Palomar quer. Muito. [Clicar para aumentar].
Faz hoje 50 anos. É muito ano a comer javali. Entretanto, e para homenagear o pai da BD portuguesa de forma mais criativa, demoliu-se a casa em que Stuart Carvalhais viveu. A Câmara Municipal não exerceu o direito de preferência. O Senhor Palomar aguarda o dia em que a edilidade venha promover um qualquer concurso com o nome do pintor.
Por Angelo Gonzalez.
A obra chegará às livrarias no próximo mês de Novembro. Recorde-se que este é o primeiro romance do autor de Materna Doçura na Quetzal. Anteriormente, Possidónio Cachapa publicara na Assírio e Alvim (o livro de estreia foi aí), mudando-se posteriormente para a Oficina do Livro.

Segundo o escritor, o romance passará a ser uma área de culto da publicação de livros.
Mas é péssimo com números. O Senhor Palomar agradece a atenção de tão distinto blogger, pois é pelo menos a terceira vez que refere o narrador deste blog (embora quase sempre para falar de audiências). O Senhor Palomar gosta do Maradona, o seu blogue é um bom blogue. Merece ser visto e visitado, lido de fio a pavio, relido se possível. Tem muitos visitantes, tem ainda mais visitas (convém perceber bem estes dois conceitos). Mas o Senhor Palomar não entende o porquê desta perseguição com as medições e com os tamanhos das audiências. Não que o Senhor Palomar se importe com isso, note-se. Quanto ao comentário que o Senhor Palomar parece ser a mesma coisa que o Bibliotecário de Babel, uma repetição do que já dissera antes - note-se, o Senhor Palomar agradece o cumprimento: ser comparado a José Mário Silva é para ele elogioso (embora não o seja decerto para JMS).
O Senhor Palomar reitera o que disse já uma vez. O Senhor Palomar não está aqui para incomodar e não quer ser uma fonte de distúrbio da ordem pública. Deseja por isso vida longa a Maradona, aos dois se possível, e espera continuar a ler aquele blogger com a sofreguidão do costume. Mais, está completamente preparado para ser olimpicamente enxovalhado por Maradona, no seu blog. Assim como assim, com as visitas que o blogue A causa foi modificada dá, pode ser que o Senhor Palomar passe a exibir um tamanho que seja mais do agrado de Maradona.



Imagens retiradas do site d' A BOLA.
Francamente, Jorge Jesus. É isto a que o amigo do Senhor Palomar chama equilíbrio? Ao terceiro golo festejado, o Senhor Palomar já pensava: «já chega, não vale a pena humilhar». O Senhor Palomar propõe que se substituam os olés no estádio, ontem começaram-se a ouvir aos 55 minutos, por vaias de "Calma, calma". O Senhor Palomar conta ainda com os senhores árbitros para continuar a invalidar golos e outros truques, a que já habituaram a boa massa associativa encarnada. Dessa forma, talvez haja alguma equipa que perca só por diferença de dois, três, vá. Mas o Senhor Palomar avisa já que Jesus é um tipo nervoso...
Entretanto, tempo ainda para reproduzir um excerto do jornal O JOGO (estas coisas são tão raras naquele jornal que é sempre de registar): «Afinal, Jorge Jesus também falha. O treinador do Benfica tinha previsto um jogo com poucos golos, talvez para não habituar os adeptos a tanta lagosta, e acabou com mais uma goleada na Liga.»
PS: Agora é que o Senhor Palomar gostava de ouvir as vozes trocistas que tanto escarneceram Aimar e que acharam que o ingresso de Saviola era ridículo...

«O "Público é, hoje, um jornal pior do que era quando entrou?
É diferente. [...] Temos um suplemento cultural muito mais forte.»
Declarações de José Manuel Fernandes ao Expresso, a poucos dias de deixar a cadeira de director do diário. Bárbara Reis, a quem o Senhor Palomar deseja as maiores felicidades, é a senhora que se segue. O Senhor Palomar espera também que um novo nome no cabeçalho do jornal seja sinal de mais cultura. E mais literatura, se possível. O Público está longe de ter um suplemento cultural mais forte do que tinha há dez anos, conforme aponta JMF. O que o Público tem é um suplemento maior para as indústrias culturais, nomeadamente para a música e para o cinema. Onde abundam as abordagens mais arrojadas, mas onde se perdeu muita da reflexão e ponderação que é necessária, exigível, a um jornal de referência. O Senhor Palomar espera que se entenda que o Ípsilon (na impossibilidade do regresso do Mil Folhas) não pode ser apenas pop, que não pode privilegiar apenas os fenómenos de massas, o trash.
É verdade que nem tudo é mau, e muitos números contrariam o que é dito acima (ao alto um excelente exemplo), contudo, quando um jornal augura a ser de referência, mas sobretudo nos habituou a tanto nos tempos do Mil Folhas, esperamos sempre que seja tudo bom.

No The Guardian, Robert McCrum discute sobre a publicação de The Original of Laura, obra póstuma de Nabokov que este pediu para nunca ser publicada. O filho fez ouvidos moucos e decidiu mesmo comercializar os direitos de publicação deste livro que, segundo a crítica, não está ao mesmo nível de outras obras do mesmo autor.

Parece que é hoje. Jorge Jesus prepara-se para ser notícia. Lacónico, explicou que frente ao Nacional teríamos um jogo de menos golos e mais equilíbrio. O que parece um excelente aperitivo para dizer que o Benfica não vai dar 8, nem 5, nem 6. O Senhor Palomar acha bem. Chega de tanto golo, senhor Jorge Jesus. O Senhor Palomar anda sem assunto para falar em redor do futebol, desde que o seu amigo (amigo do Senhor Palomar, entenda-se) decidiu trucidar quem se insurge na sua frente. Menos raiva, se faz favor. Está bem, teve graça ao início. 8 ao Setúbal, 6 já não sabemos a quem, 5 ao Everton. Tem graça, muita graça, se for uma coisa espaçada no tempo. Todos os dias, cansa. Dá cabo das cordas vocais. No dia seguinte, não se consegue cantar no banho. E depois são imperiais e minuins a mais. Mais, o bom benfiquista não está habituado a tanta alegria. Ainda se zanga com a mulher e acha que dormir com a Águia Vitória será um prato tão interessante quanto ir ao estádio e voltar a ver as Axe Dancers, que este ano foram barbaramente substituídas por um Quimbé que usa pontos de exclamações a mais (to say the least).
O Senhor Palomar já não se recorda da última vez que falou aqui de futebol. E fá-lo já por antecipação, porque teme que logo à noite não o possa fazer. Tem pouco interesse vir aqui enxovalhar os adversários. É que alguns são amigos. Não tem graça ver o grande Francisco José Viegas escrever isto. O que o Senhor Palomar quer ver é provocações. É vê-lo falar da progressiva cidade da Trofa numa jornada, para na outra volta sentir que pela boca morre o peixe. Ânimo, Francisco. Ainda não concretizámos aquele almoço, e a continuar assim, que sentido fará o Senhor Palomar convidá-lo a sentar-se, lado a lado, na Luz ou no Dragão (o amigo escolhe)?
Jorge Jesus tirou a 6 milhões de portugueses a hipótese de se queixarem. E toda a gente sabe o quanto o português, logo benfiquista, gosta de se lamentar. Aliás, não é à toa que o Estádio da Luz tem tanto betão à vista. Jorge Jesus arquitectou uma equipa que marcou, só para o campeonato, 24 golos em 7 jornadas. Dá mais de três por jogo, proeza que não é para todos, conforme o leitor informado sabe. Hoje, fala-se em contenção: o que será bom para pelo menos melhor compreender o léxico do treinador de todos os portugueses. Quanto será que vale a contenção de Jorge Jesus?
A 23 de Março de 1820, o Times assinalava a morte de Keats: At Rome, on the 23rd of Feb., of a decline, John Keats, the poet, aged 25. Não tendo sido decerto intencional, bonito, o "the poet". Talvez com o lançamento do biopic em torno da sua vida, Keats consiga um pouco mais do que 52 caracteres, 9 deles para o nome do poeta, 6 para a cidade onde tudo se deu, 13 para a data, 10 para a causa, 6 para a idade, apenas 7 para a ocupação.

A Penguin acaba de publicar um volume com algumas das suas stories (cuja leitura vai para o pote). Mas entretanto vale a pena ler o artigo do Times que apresenta o autor que se considerava “a failure among failures”. Não admira que tenha posto fim à vida aos 30.
Vanessa Rato já tinha a entrevista com Gabriela Canavilhas marcada. Entretanto, chegou o anúncio que dava conta que a pianista fora indigitada como Ministra da Cultura. Mantiveram a conversa, claro, e o resultado está hoje no P2. E aqui. Como diz a jornalista, para ler nas entrelinhas.
Vale a pena ver o vídeo, alojado no website do Expresso, que reúne numa mesma sala Tolentino Mendonça e José Saramago. O tema já saberão qual é. Para variar, Saramago teve um interlocutor à altura. Tolentino escusava de ter interrompido tanto o Nobel; mas o essencial foi dito.
«Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito. Claro que Saramago tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra a vontade dele. Mas, se há desculpa para Saramago, não há desculpa para o país, que se resolveu escandalizar inutilmente com meia dúzia de patetices.» Ler na íntegra no Público.
Roberto Bolaño (Quetzal) tira 23 000 exemplares. Caim (LeYa-Caminho) aproxima-se de esgotar os 50 000 da tiragem inicial. As pré-vendas de Asterix (LeYa-Asa) na Fnac superaram as expectativas. Na sexta-feira, a Porto Editora orgulhava-se de, em comunicado, afirmar que o livro livro que mais vende neste momento em Portugal é A Cabana (poderia ser o novo dicionário do Acordo, mas não: é A Cabana). No sábado, foi lançado o novo livro de Rodrigues dos Santos, Fúria Divina (Gradiva). Lá para o final do mês, chega Dan Brown (Bertrand) e o seu símbolo perdido.
O mercado, que é sempre uma entidade inominável, anima-se de cada vez que chegam notícias deste tipo. Mas não será menos verdade que este fogo-de-vista esconde uma realidade editorial que está longe de ser a descrita acima. A esmagadora maioria das editoras não tem best-sellers que lhes valham, nem sequer conseguem colocar os seus livros no ponto de venda com destaque e, muitas, arriscam-se a desaparecer. Esta é uma verdade de La Palice, mas não é por causa de o ser que deve deixar de nos preocupar.
O Diário de Notícias publica hoje uma entrevista ao Nobel português, conduzida por João Céu e Silva. Recorde-se que este jornalista tem publicado pela Porto Editora o volume "Uma longa viagem com José Saramago", no qual este reproduz (com pouca aparente edição) uma extensa conversa mantida com o escritor. A entrevista não adianta muito ao que já foi dito, sendo apenas interessante verificar de que forma se relacionava José Saramago com a religião em criança. Ao Senhor Palomar, por outro lado, continua a agradar a forma que João Céu e Silva tem de fazer perguntas em forma de afirmação e... com pontos de exclamação:
«Ia à missa quando era criança?
Levaram-me duas vezes e não gostei. Tinha sete anos e aquilo pareceu-me incompreensível. Nós morávamos na Rua Fernão Lopes, numas águas--furtadas de um prédio, em Lisboa, de cinco andares que já não existe, que era o lugar onde a arraia-miúda morava porque os mais abastados ficavam com os apartamentos mais baixos. Houve alguém de uma família muito católica que perguntou à minha mãe se ela não se importava que me levassem à missa. E à minha mãe, que tanto fazia, disse: "Pois sim, levem."»
Nos EUA, acaba de ser lançada uma novela gráfica do livro dos livros, da autoria de Robert Crumb. Desenvolvimento no La Vanguardía.
«É com prazer que a Porto Editora anuncia que o livro mais vendido em Portugal, neste momento, é A Cabana, obra cujo tema central é a bondade de Deus (www.acabana.pt).» Retirado de um press release da Porto Editora.
É cinismo do Senhor Palomar, ou o aproveitamento da polémica Saramago-Caim está a ir longe de mais?
Quem não lê é como quem nao vê
Vá lá, pega num livro e desliga a TV
Confessa lá, tu agora até te sentes mal
Por só leres as legendas e os títulos do jornal
Quem não lê é como quem nao vê
E diz-me afinal o que é melhor que ler
Talvez comer, talvez beber, talvez.... mas afinal
Leitura dá-te alimento intelectual
Quem não lê é como quem não vê
Vá lá, num instante à tua estante e pega no Dante
Mas se o Inferno te der vontade de fugir, ai ai
Pega na Bíblia, pode ser que escapes de lá ir
Quem não lê é como quem não vê
Junta a proza à gazoza, mistura ainda um sofá, deixa marinar
E uma tarde bem passada é o que dá
O Pessoa pode te tornar outra pessoa
Pois a poesia portuguesa tem tanta coisa boa
O Saramago é bom, mas não te dá a salvação
Quem tem medo do Lobo Antunes, devia ter temor a Deus (repete à exaustão)
É de leitura obrigatória o texto de Alexandra Lucas Coelho publicado hoje no Ípsilon, que pode ser lido aqui. António Lobo Antunes e a nova casa. António Lobo Antunes no Conde Redondo. António Lobo Antunes e os cigarros SG. António Lobo Antunes e os russos. António Lobo Antunes. António António António.
«Não sei o que o futuro pensará de mim. Sempre me imaginei uma criança a brincar na praia, que às vezes encontra um seixo mais polido, uma conchinha mais bonita, enquanto o grande oceano da verdade permanece intacto à minha frente”»Durante a apresentação do novo livro, ontem.
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